quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Pela porta da frente, por favor

Festa, mesmo, era aniversário de 15 anos. De preferência daquelas meninas que comemoravam com pompa e circunstâncias, nos bons clubes de Santa Maria. Os pais ficavam generosos e bancavam grandes comilanças e muito uísque, que a gente diluía em guaraná para encaixar com os nossos paladares iberbes. Nestas festas nós, adolescentes, tomamos nossos primeiros pilequinhos, engatamos os primeiros namoricos e demos nossos primeiros passos dançando juntinho.

O difícil era ser convidado para as festas. Nem sempre a aniversariante era da nossa sala de aula, às vezes nem do mesmo colégio e muito menos parente de algum conhecido. A notícia de alguma festa era a largada para uma caça aos convites. Valia de tudo. Até namorar aquela feinha que era amiga da aniversariante, só para poder entrar no rebu. Quando não tinha jeito a gente apelava para amizade com porteiro do clube, com segurança e todos os expedientes que a incipiente malandragem conhecia. Tinha caso em que só se desistia na porta de entrada, onde a gente comparecia de calça de brim, tênis, gravata do pai e paletó do irmão mais velho.

Quando se conseguia entrar era uma vitória. Mas nem sempre se aproveitava a festa, pois sempre restava algum constrangimento. É claro que furão que é furão tenta até tirar a aniversariante para uma dança, mas poucos de nós eram tão corajosos e caras-de-pau.

A lista de convidados da Taça Libertadores da América é bem seleta. Só entra nela quem mostrou serviço na primeira divisão de seu país. Indiscutivelmente é a grande festa do futebol no continente. Como em toda festa, há quem tente entrar de penetra, conseguindo um convite com um primo da segurança, se esgueirando pela porta dos fundos ou inventando um passe por meio de um torneio menor e inexpressivo.

Entrar de penetra até pode ser divertido. Mas não há nada como entrar pela porta da frente, cheiroso e enfatiotado, e dar dois beijinhos na mãe da aniversariante. Só que para isto tem que ter prestígio e legitimidade. Bom futebol, no caso da Libertadores.

4 comentários:

Diego Zucolotto disse...

"Enfatiotado" é ótimo! Fazia tempo que não ouvia essa. Eles tentam, mas não conseguem. Gastam milhões e praticam mesmo é o "samba com bola", para o escritor Eduardo Bueno é o esporte que se pratica da divisa de RS com SC para cima. Time com a alma castelhana de verdade só existe um no Brasil, e o é o Grêmio.

Anônimo disse...

Esse blog é do gremio? pq tao falando do inter?
CHORÕES!

Gastão Cassel disse...

Quem falou do co-irmão?

Anônimo disse...

Um "peru" de primeira sempre enobrece a Festa, jah um convidado de SEGUNDA, compromete o evento