quarta-feira, 15 de abril de 2009

Na espera

A demissão de Celso Roth provocou nos meus colegas blogueiros uma vontade enorme de opinar sobre a decisão mais acertada da atual direção do Grêmio até agora (acertada, porém, atrasada). Foram diversas postagens nas últimas semanas.

Ao contrário de alguns, decidi por escrever algo somente quando fosse anunciado o nome do novo comandante Tricolor. Pois bem, cansei de esperar!

Paulo Autuori é o preferido dos mandachuvas gremistas. Gabaritado, culto, inteligente, estrategista, vencedor. Na minha opinião um dos cinco melhores treinadores brasileiros em atividade (juntamente com Felipão, Muricy, Luxemburgo e Mano Menezes). Seu perfil e currículo mostram que aguardar por ele é prudente. Até porque a equipe possui apenas mais dois compromissos em abril. Ambos decisivos, porém não será a falta de treinador empecilho para que se busquem as vitórias nestes dois confrontos.

No caso de uma negativa com relação a contratação de Autuori, qualquer plano B é arriscado. Nomes como Dorival Júnior e Geninho representariam um risco bem menor, até porque também são bons treinadores. São qualificados e respeitados por onde passaram. A contratação de um treinador sem expressão como Gilmar Iser ou até o próprio China (campeão mundial com o clube em 83 e que se ofereceu esta semana para ser o treinador do Grêmio) seria a aposta no barato que pode sair caro. Isto porque estamos falando em Libertadores. No caso de uma competição tiro longo como o Brasileirão, até seriam alternativas a serem consideradas.

Mas ninguém representa mais riscos ao Grêmio que Renato Portaluppi. É indiscutível o que ele fez como jogador, tornando-se o maior ídolo da torcida gremista em todos os tempos. Assim como é indiscutível sua enorme capacidade de provocar nos ADVERSÁRIOS dos clubes que dirige uma vontade incrível de vencer. Com declarações e comportamentos, no mínimo, desastrados, Renato é o treinador-boleiro, sem papas na língua e com uma auto-confiança que estrapola os limites éticos.

Tem a seu favor a identificação com o clube e com a torcida, um currículo razoável e a disponibilidade imediata para ocupar o cargo. Se a diretoria gremista busca um nome para um trabalho bem planejado, a médio e longo prazo, esperar por Autuori é o ideal. Mas se optarem por uma lua-de-mel com a maioria dos torcedores, então Renato é a melhor opção.

Aguardemos. Se bem conheço este clube, muitas surpresas ainda podem acontecer.

3 comentários:

Gastão Cassel disse...

Me agrada o Autuori e não condeno a atitude da diretoria em fazer uma negociação cheia de paciência. É um cara para o longo prazo, ideal para um campeonato como o Brasileirão.
Mas não acho que o Renato seja um desastre. Acho, mesmo, que ele é a melhor opção para a Libertadores. Porque é boleiro mesmo, capaz de inflamar nosso plantel mediano e tirar o máximo dele. Mas ele não tem fôlego para mais do que isto. Não é técnico para pensar um time no longo prazo.
Daqui uns dias começa o mata-mata e aí precisamos ter um técnico e, sobretudo, a "alma catelhana" em campo.

Diego Zucolotto disse...

Também não acho que a escolha do Renato seja um desastre. Considero apenas arriscado. A identificação com o Grêmio e a capacidade de inflamar o elenco, como você mesmo disse, ele tem. Apenas não gostaria de ver este ano, caso o Grêmio chegue a final da Libertadores com ele como técnico, o mesmo oba-oba e clima de já ganhou que se criou no Fluminense no ano passado. Naquela ocasião ele foi um dos grandes responsáveis pelo desastre do Fluminense no Maracanã.

abraço chefe!!

Upiara Boschi disse...

O Renato deve ter aprendido alguma coisa. Mas o engraçado é que o Renato, com as tais provocações, perdeu a final nos pênaltis, fazendo 4 a 2 em casa. Enquanto isso, com discurso bem humilde, o Mano levou 3 fora e 2 em casa.

Situações e equipes diferentes, é claro. Mas as pessoas falam da campanha do Renato naquela Libertadores como se fosse um destraste.