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quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Preto no branco

Podia ser uma tragédia. Podia até ser o fim de um relacionamento de mais de dois anos. No fim, foi a queda do Grêmio na tabela do Brasileirão. Tudo isso porque torço pelo imortal tricolor enquanto meu namorado, Jouber, é corintiano. E no feriado foi inevitável assistirmos, pela primeira vez, aquela que poderia ser a maior guerra do nosso namoro: Corinthians x Grêmio. Eu estava fardada. Ele estreava a camisa roxa comprada uma semana antes. Assistimos ao jogo em um lugar público, e os olhares se dirigiam naturalmente para nós. O árbitro deu início à partida e em pouco menos de dez minutos o chute de Ronaldo passava apenas pelos olhos de Marcelo Grohe. Ouvi o grito de alegria do meu lado e nada pude fazer. Para amenizar, ganhei um beijo. Daí em diante, só deu Corinthians, para minha infelicidade. Ronaldo, no contra-ataque, passou para Jorge Henrique que entregou para o fenômeno. Dono de uma parte dos direitos federativos de Elias, Ronaldo não hesitou em entregar o gol ao "sócio". Não deu outra: Corinthians 2 x 0 Grêmio. Chega o intervalo. Enquanto me distraio com o sorvete, os olhares se voltam ao jogo São Paulo e Flamengo.

A disputa entre Corinthians e Grêmio começou amena. Com o pênalti de Jorge Wagner (São Paulo) em Toró (Flamengo), novamente a atenção foi desviada. Petkovic bate e perde a chance de fazer o gol. Ao meu lado, duas senhoras comem batata recheada ignorando totalmente as partidas do Brasileirão. O auxiliar manda voltar, afirmando que o goleiro Rogério Ceni se adiantou na hora da cobrança do pênalti. Seria a chance do Flamengo. Momento de decisão no jogo que passa na televisão pequena. No telão, bola parada e cobrança do capitão Tcheco. Ligeiramente volto a acompanhar Grêmio e Corinthians. Réver sobe e marca. É a redenção: grito, levanto e pulo. Em poucos minutos minha fúria é apagada pelo gol de Petkovic, no jogo São Paulo e Corinthians. Não faz mal. Ainda tenho esperanças da virada tricolor. Mas dessa vez, não deu pro Grêmio. Aliás, ficou tudo preto no branco. Só que dessa vez a faixa no meio tinha outra cor: roxo.

domingo, 13 de setembro de 2009

Caveira exumada

Foto: ClicRBS


A partida que marcou a exumação da caveira de burro que haviam enterrado em algum lugar, que impedia vitórias do Grêmio fora de casa não foi grande coisa, mas serviu para algumas reflexões sobre as perspectivas do Tricolor neste campeonato.

A primeira, e mais importante, é que o time que temos não é menos do que ninguém. Não há uma equipe sequer que mostre futebol e plantel muito superiores aos nossos. Longe de ter um futebol notável, o Grêmio tem capacidade de vencer qualquer um dos clubes que disputam o campeonato, sem exceção. Isto equivale a dizer que temos plenas condições de “tirar o atraso” e chegar com fôlego na parte de cima da tabela.

A segunda reflexão é sobre o plantel. Não é o que a gente sonha, é verdade, mas não é muito menos do que os concorrentes. Se não temos craques de primeira grandeza, temos um elenco “parelho” que dá conta de suprir o esquema tático neste certame longo em que suspensões e lesões ocorrem em todas as rodadas. Os reforços (Rochemback e Lúcio) se não agregam diferencial, mantém o nível da equipe.

Assim como não dá para confiar na genialidade de nenhum dos jogadores (talvez o Victor se salve), também não é justo crucificar nenhum deles. Com altos e baixos, é farinha do mesmo saco, com irregularidades parecidas e talentos semelhantes.

Por fim, a gente fica pensando o esquema tático. Tem funcionado, mas não é regular, apesar de ter uma lógica de movimentação mais ou menos sedimentada. Essa história de não ganhar fora, acho que era mais uma obra do acaso do que uma questão de futebol, pois o Grêmio não joga diferente em casa e fora.

O que mais me intriga é a uma contradição que não resolvi ainda, e que já falei aqui no blog: reconheço a capacidade do Autuori e lhe sou grato pelo que anda fazendo, mas não vejo no seu futebol o perfil copeiro e raçudo que fizeram a história do Grêmio. Inda durmo com uma pulga atrás da orelha.

domingo, 12 de julho de 2009

Com a cara do Autuori

O Grêmio que goleou o Corinthians neste domingo tem a cara de Paulo Autuori. Um time organizado, técnico e fleumático como o seu comandante. Sinceramente, não sei se é a cara do Grêmio que eu gosto, mas foi muito eficiente.

O time de Autuori joga com bola no chão, privilegia o passe curto e as jogadas envolventes. Joga pelas pontas de forma organizada, o que faz da bola aérea uma opção aguda, e não uma tentativa desesperada de botar a esfera perto da área, como vinha acontecendo nos últimos tempos. É evidentemente um futebol mais maduro, com mais padrão e melhor nível.

Talvez tenha sido o primeiro jogo que o time jogou com o semblante do seu “professor”. Antes (e justamente nas decisões da Libertadores) o time parecia híbrido, muito amarrado ao jeito anterior. Talvez só a ausência de pressão tenha permitido uma exibição exuberante como a que arrasou o campeão da Copa do Brasil.

Começa a se comprovar uma hipótese que levantei na época da troca de técnico (relembre aqui). Disse que queria para a Libertadores um “técnico metafísico”, que encarnasse a mítica da imortalidade e do Grêmio copeiro, alguém como Renato, por exemplo. Queria um técnico empolgante para jogar a Libertadores com o sangue, com o máximo de raça. Talvez eu estivesse certo. Certamente o técnico “da raça” não seria o adequado para um campeonato longo em que a regularidade faz a diferença. Autuori mostrou que não era o cara para a Libertadores. Mas pode ser o do Brasileirão?

Autuori , treinador refinado nos modos e na tática, é bom para os campeonatos longos, para projetos racionais que dependam de planejamento e possam prescindir do ímpeto necessário nos mata-mata, por exemplo.

Elenco

Outra característica interessante do técnico é a capacidade de usar o elenco disponível. Ele usa mesmo, insiste, valoriza, experimenta, não se rende às primeiras evidências (as vezes traiçoeiras). Sua atuação no tricolor serviu para mostrar que o nosso elenco, se não conta lá com grande qualidade, tem a virtude de ser parelho em seu talento. Não há muita diferença entre titulares e reservas, mantêm-se o padrão de jogo com uns ou outros, como se viu contra o campeão paulista. Se isso é suficiente, é outra história.

Mas daqui uns dias se abre a temível janela de contratações do futebol europeu e talvez alguns punhados de euros desfigurem o elenco atual. Sem dinheiro no caixa para contratar, Autuori vai investir pesado nas categorias de base e já integrou aos profissionais uma molecada reconhecida como promissora. Outras vezes o Grêmio já fez isso e em muitas se deu bem. Talvez para isso seja necessário mesmo um treinador com visão de longo prazo, como é Autuori.

Não vejo sintonia entre a fleuma do treinador e o jeito histórico do tricolor. O futebol do professor parece “bonito demais”, muito parecido com sua fala mansa e indefectivelmente carioca. Mas talvez agora seja o caso. Vamos dar um crédito.


E o coirmão einh? 15 dias atrás era o melhor time do Brasil e “campeão de tudo”. Em duas semanas perdeu a Copa do Brasil, a Recopa e a liderança do Brasileiro. O mundo dá voltas, né?

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Com o rabo entre as pernas

Esta sem dúvida foi uma das melhores semanas. Os são paulinos que até domingo se diziam hexa-campeões do Brasileiro, agora tem de esperar a próxima rodada pra saber se realmente serão. Independente de o Grêmio vencer o campeonato esta é uma semana em que os são paulinos estão com o rabo entre as pernas. Vide a entrevista coletiva do técnico Muricy Ramalho. Naquele momento ele dizia que o São Paulo está vivo na competição. Ora, até domingo antes do jogo o São Paulo não era o campeão do Brasileiro 2008? De qualquer forma, esta é uma sema pra curtir e esperar... E que venha o domingo!

Gremistas catarinenses: no dia 20/12 haverá um almoço de confraternização em Florianópolis organizado pela torcida local com a presença de alguns ex-jogadores do imortal.

Em breve mais informações!

domingo, 23 de novembro de 2008

Longe demais

Lá pelos 40 do segundo tempo começou a chover. Era só o quer faltava numa tarde em que o Grêmio empatava em zero com o Avaí. Pior do que o empate, era a falta de futebol, a ausência de qualquer semelhança dos caras de camisa tricolor com um time de futebol. Não havia esquema tático, não havia qualidade individual, não havia garra. E mais: o Celso Roth sentadinho no banco, o incrível sobrevivente dos fiascos recentes do Gauchão e da Copa do Brasil.

- Vai ser um ano duro, parceiro.

A frase saiu como um suspiro enquanto eu olhava para o desconhecido torcedor ao lado. Esperava dele uma palavra de consolo. Mas ele não disse nada. Deu de ombros e suspirou profundamente.

Naquele dia seis de março, depois do amistoso humilhante e melancólico, ninguém ousaria adivinhar que aflição dos gremistas em 2008 seria na ponta de cima da tabela, disputando efetivamente o campeonato.

Uma semana depois o Grêmio estreou no Brasileirão vencendo o São Paulo e inaugurou uma campanha de grande aproveitamento. Mais do que surpreendente, pode-se dizer inexplicável. Porque o plantel ganhou pouco em qualidade. Os reforços foram invariavelmente baratos e duvidosos. Com minguados caraminguás no caixa, a direção do Grêmio montou um conjunto “para não cair”. A escolha do técnico evidencia a opção, não precisavam de um vencedor.
Mas o time foi vencendo. Talvez a falta de ambição fosse tão evidente que parece que os adversários não levaram o Grêmio a sério, e o primeiro turno foi um sucesso que fez trepidar a lógica. A diretoria, iludida e maravilhada, manteve a política da pobreza, apostando que os outros fossem mais medíocres. E talvez fossem, mesmo. Só que não é possível enganar o tempo todo. Os limites apareceram e a munição de festim não assustou mais ninguém. O time perdeu terreno para si próprio, para suas próprias insuficiências.

Ao perder vexatoriamente para o Vitória o tricolor sepultou a possibilidade do tri brasileiro. Os investimentos e o futebol não eram para tanto. Provavelmente foi longe demais, conquistando um lugar na Libertadores.

Para quem viu o Grêmio no dia seis de março, o ano foi bom demais.