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domingo, 20 de setembro de 2009

Foi dada a largada. Dá para acreditar.

Dificilmente o Grêmio vai encontrar outro adversário com tão poucas possibilidades técnicas quanto o Fluminense. A vitória por 5 x 1 foi como bater em bêbado (frase que cunho em desagravo ao Adilson). Se por um olhar técnico o jogo não disse muito para o tricolor gaúcho, pelo viés do cenário do campeonato, foi um jogo muito importante. É como se agora estivesse começando o certame para nós.
Faltando 13 jogos para o fim do Brasileirão, temos o melhor ataque e o goleador (Quem diria? Jonas!) do campeonato, estamos em 5º lugar, muito próximos do G4 ou, na linguagem que mais nos interessa, da Libertadores 2010.
E afirmo que estamos mesmo no páreo e nem o 1º lugar está fora de cogitação. Nunca chegamos a esta altura das coisas com um plantel tão parelho e equilibrado, nas qualidades e limitações. E como disse na semana passada, nenhum clube tem muito mais do que o Grêmio em elenco ou esquema de jogo. Ninguém!
Uma vitória sobre o Goiás na semana que vem, lá no Serra Dourada pode abrir o caminho em definitivo para a ponta de cima.
Então acredito que estamos começando mesmo o campeonato. Que dá para chacoalhar este clima morno que nos acompanhou durante o ano e começar a acreditar, a se emocionar, a secar com mais vigor o que estão por perto, a projetar mais um feito do Imortal.
E aí temos que dar créditos para o Autuori, que definitivamente não tem a cara do Grêmio, mas está conduzindo a coisa pelo bom caminho.
A arrancada está começando. Podemos acreditar.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Terça Azul

Guerreiros de 1904

Como é bom entrar em campo no aniversário de 106 anos de imortalidade!
Poderia começar dizendo que "sou gremista desde pequenininha", mas infelizmente a frase não se encaixa na minha história com o Grêmio. Na verdade, eu competia com o imortal.

Há quatro anos eu conheci a pessoa que me ensinou a amar o tricolor, meu namorado Alessandro. Esse sim, gremista desde pequenininho. Em meio a tantas brigas eu, ciumenta, disputava a atenção do meu amor com os onze guerreiros em campo. Ele assistia a todos os jogos, falava do Grêmio, respirava Grêmio. Eu não entendia o por quê de tanto amor, ia junto. Com o tempo comecei a me deixar levar por aquele sentimento - sem dar o braço à torcer, claro.

Não consigo definir o que eu sentia ao estar no meio de uma torcida, que canta, que vibra, que grita e que apoia, ganhando ou perdendo. Percebi que eu passava a semana esperando chegar a hora do jogo do Grêmio.

Foi em julho de 2007 quando não consegui mais disfarçar. Minha ansiedade para assistir à final da Libertadores era tanta, que minhas mãos trêmulas denunciavam minha nova paixão. Nesse dia eu gritei, cantei, chorei e sofri com o tricolor. Gritei com tamanha intensidade para compensar todas às vezes que meu grito ficou preso por orgulho, por não querer me render ao gremismo. Naquele dia, mesmo com o 2º lugar, eu falei pra ele "Me dá uma camisa do Grêmio, quero usar!"

Me inseri na história do Grêmio a ponto de meu pai, palmeirense, rir alto e soltar um comentário machista ao me ver sozinha, gritando com o rádio: "Porra Carol, tu parece um guri louco!" Já não tinha - e não tem - mais volta. Agora sou eu quem pede para ver os jogos do imortal, que tem um espaço considerável na minha vida. E nesse espaço, espero contribuir e demonstrar esse sentimento que não se termina.

Parabéns pelos 106 anos de glórias, meu Grêmio!

sexta-feira, 3 de julho de 2009

As nossas feridas (enclausurados no Brasileirão)

Foto: Clic RBS

Na verdade a gente sabia que era quase impossível. Mas o uso da razão não é um exercício comum entre nós gremistas. Talvez a gente só quisesse mais um jogo épico, de torcer até o último minuto, nem importando o resultado, desde que a possibilidade existisse até o apito final. Mas os dois gols dos mineiros acabaram com essa possibilidade e transformaram nossa despedida da Libertadores num suspiro melancólico.

Este Grêmio esquálido que temos acompanhado é o retrato de um clube pobre, que compra jogadores de balaio, baratos como utensílios de camelôs. Não há um diferenciado, um talento capaz de iluminar a cena cinzenta de nosso time. Foi assim no ano passado, está sendo assim. Até quando vai ser?

O que não se discute é que tem gente no elenco que não tem estatura nem para segunda divisão. Que só está ali porque custa pouco, porque topa jogar pelo que podemos pagar. É este o preço das falcatruas da ISL, da má administração, das contratações erradas que viraram indenizações milionárias (lembram do Leão?) e um monte de coisas que se resume na expressão má administração.

É, o futebol precisa de dinheiro, e a falta do vil metal aparece dentro das quatro linhas e reverbera dolorosamente na arquibancada. Sem investimento não há time e sem time não há títulos. E segue o nosso jejum insuportável.

Vamos passar o resto do ano enclausurados no Brasileirão. Uma vaga na Libertadores do ano que vem passa a ser a meta maior, o único grande objetivo tricolor. Mas com esse time? Sorte que o resto dos concorrentes parece bem mediano, mas vale lembrar que sempre crescem no segundo semestre, na segunda parte do campeonato.

Sem ser catastrófico, levanto uma questão. Será que Autuori é mesmo o técnico adequado? Não desconsidero seu currículo, seu conhecimento, sua autoridade e competência. Mas confesso que me incomoda a sua fleuma londrina e seu falar cariocamente arrastado. Não vejo muita sintonia entre seu jeito e a “alma castelhana” que nos faz feliz. Vamos esperar.

Menos mal que a gangorra do futebol gaúcho quebrou. Os dois estão com a bunda no chão, o que dá um sentido preciso à expressão “coirmão” usada por ambos os clubes, sempre com certa ironia.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Faltam dois

Enfrentar o conhecido ou o obscuro, na altitude ou ao nível do mar, não importa! Para trazer o caneco mais cobiçado do continente para o Olímpico é preciso ter qualidade. Não me refiro a técnica simplesmente. Em uma breve análise dos atletas que já desembarcaram na Azenha e participam da pré-temporada em Bento Gonçalves percebo a falta não apenas de um atacante (e que não seja nenhum Maxi... Megaxi... Superxi... López. Precisa ser um homem de velocidade e agilidade dentro da área gremista. De mangolão já tem o Morales), mas também de um primeiro volante diferenciado. O cara para formar, juntamente com William Magrão, uma barreira diante da defesa Tricolor.

Não um volante chucro, daqueles acostumados a distribuir botinadas ao invés de bons passes, mas alguém de fibra e com experiência suficiente para impor respeito a qualquer hermano. A saída do jovem Rafael Carioca deixou uma lacuna neste espaço. Um time que preza tanto pela marcação como o Grêmio não pode simplesmente ocupar esta vaga com apostas (Tiago Dutra ou Adilson por exemplo). Embora Adilson sempre entre bem na equipe, precisa de sequência de jogos para engrenar. Não é a Libertadores a competição ideal para isso. Quem sabe o Brasileirão.

Mas se não vier ninguém (e prefiro não acreditar nisso), a alternativa que mais me agrada é deslocar William Magrão para a função antes exercida pelo Rafael e colocar o Tcheco como segundo volante, posição esta já exercida por ele em sua última passagem pelo futebol árabe. Assim Souza ganha a sua tão sonhada vaga de meia armador e Ruy "cabeça de lâmpada" seria o apoiador pelo flanco direito.

Como é impossível descobrir o que se passa pela cabeça do ilustre professor Roth apenas o início da Gauchão mostrará um esboço da equipe. Com mais dois bons jogadores para as posições citadas o Grêmio entra bem (ao menos no papel) para buscar o tri da América. É aquele time sem luxo algum. As grandes alegrias anteriores vieram com times assim. Basta repetir a dose. Goleadas de 1x0, carrinhos na lama e taça no armário.

domingo, 23 de novembro de 2008

Longe demais

Lá pelos 40 do segundo tempo começou a chover. Era só o quer faltava numa tarde em que o Grêmio empatava em zero com o Avaí. Pior do que o empate, era a falta de futebol, a ausência de qualquer semelhança dos caras de camisa tricolor com um time de futebol. Não havia esquema tático, não havia qualidade individual, não havia garra. E mais: o Celso Roth sentadinho no banco, o incrível sobrevivente dos fiascos recentes do Gauchão e da Copa do Brasil.

- Vai ser um ano duro, parceiro.

A frase saiu como um suspiro enquanto eu olhava para o desconhecido torcedor ao lado. Esperava dele uma palavra de consolo. Mas ele não disse nada. Deu de ombros e suspirou profundamente.

Naquele dia seis de março, depois do amistoso humilhante e melancólico, ninguém ousaria adivinhar que aflição dos gremistas em 2008 seria na ponta de cima da tabela, disputando efetivamente o campeonato.

Uma semana depois o Grêmio estreou no Brasileirão vencendo o São Paulo e inaugurou uma campanha de grande aproveitamento. Mais do que surpreendente, pode-se dizer inexplicável. Porque o plantel ganhou pouco em qualidade. Os reforços foram invariavelmente baratos e duvidosos. Com minguados caraminguás no caixa, a direção do Grêmio montou um conjunto “para não cair”. A escolha do técnico evidencia a opção, não precisavam de um vencedor.
Mas o time foi vencendo. Talvez a falta de ambição fosse tão evidente que parece que os adversários não levaram o Grêmio a sério, e o primeiro turno foi um sucesso que fez trepidar a lógica. A diretoria, iludida e maravilhada, manteve a política da pobreza, apostando que os outros fossem mais medíocres. E talvez fossem, mesmo. Só que não é possível enganar o tempo todo. Os limites apareceram e a munição de festim não assustou mais ninguém. O time perdeu terreno para si próprio, para suas próprias insuficiências.

Ao perder vexatoriamente para o Vitória o tricolor sepultou a possibilidade do tri brasileiro. Os investimentos e o futebol não eram para tanto. Provavelmente foi longe demais, conquistando um lugar na Libertadores.

Para quem viu o Grêmio no dia seis de março, o ano foi bom demais.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Pela porta da frente, por favor

Festa, mesmo, era aniversário de 15 anos. De preferência daquelas meninas que comemoravam com pompa e circunstâncias, nos bons clubes de Santa Maria. Os pais ficavam generosos e bancavam grandes comilanças e muito uísque, que a gente diluía em guaraná para encaixar com os nossos paladares iberbes. Nestas festas nós, adolescentes, tomamos nossos primeiros pilequinhos, engatamos os primeiros namoricos e demos nossos primeiros passos dançando juntinho.

O difícil era ser convidado para as festas. Nem sempre a aniversariante era da nossa sala de aula, às vezes nem do mesmo colégio e muito menos parente de algum conhecido. A notícia de alguma festa era a largada para uma caça aos convites. Valia de tudo. Até namorar aquela feinha que era amiga da aniversariante, só para poder entrar no rebu. Quando não tinha jeito a gente apelava para amizade com porteiro do clube, com segurança e todos os expedientes que a incipiente malandragem conhecia. Tinha caso em que só se desistia na porta de entrada, onde a gente comparecia de calça de brim, tênis, gravata do pai e paletó do irmão mais velho.

Quando se conseguia entrar era uma vitória. Mas nem sempre se aproveitava a festa, pois sempre restava algum constrangimento. É claro que furão que é furão tenta até tirar a aniversariante para uma dança, mas poucos de nós eram tão corajosos e caras-de-pau.

A lista de convidados da Taça Libertadores da América é bem seleta. Só entra nela quem mostrou serviço na primeira divisão de seu país. Indiscutivelmente é a grande festa do futebol no continente. Como em toda festa, há quem tente entrar de penetra, conseguindo um convite com um primo da segurança, se esgueirando pela porta dos fundos ou inventando um passe por meio de um torneio menor e inexpressivo.

Entrar de penetra até pode ser divertido. Mas não há nada como entrar pela porta da frente, cheiroso e enfatiotado, e dar dois beijinhos na mãe da aniversariante. Só que para isto tem que ter prestígio e legitimidade. Bom futebol, no caso da Libertadores.